Arquitetura corporativa: como planejar um escritório que fica pronto em meses

Escritório no Pátio Malzoni, Faria Lima – projeto Marília Veiga Interiores, foto 8
Conjunto comercial vazio no Pátio Malzoni, com contrapiso, dutos aparentes e pele de vidro, antes do projeto da Marília Veiga Interiores
Antes: o conjunto no contrapiso, com dutos aparentes e pele de vidro.

O cliente encontrou a gente pela internet. Ele tinha acabado de abrir uma gestora de investimentos, a Blueline Asset Management, e tinha nas mãos um conjunto comercial vazio no Pátio Malzoni, na Faria Lima: contrapiso, dutos aparentes e pele de vidro. Nesse ramo, o cliente precisa sentir confiança antes de assinar qualquer coisa. Por isso ele queria um espaço que representasse a empresa e marcasse tanto quem trabalha ali quanto quem chega para uma reunião. E ele tinha prazo.

Quando alguém fala em arquitetura corporativa, quase sempre pensa primeiro na planta e nos móveis. Eu penso primeiro no calendário.

Começar a obra logo ou fechar tudo antes?

Todo cliente corporativo quer ver a obra começar na semana seguinte. A pressa, no entanto, costuma ser o que mais atrasa. Num escritório, cada dia parado custa aluguel sem uso e uma equipe sem lugar para trabalhar, e a tentação é liberar a reforma enquanto o projeto ainda está em aberto. A gente faz o contrário. Toda vez que a obra para por causa de uma decisão pendente, ou porque o cliente quer mais um orçamento, o cronograma escorrega.

No Pátio Malzoni, a gente dedicou 70 dias a projeto, orçamentos e aprovações. A obra levou 90.

Setenta dias de projeto antes do primeiro martelo

A gente começou pelo briefing e discutiu esse briefing com ele muitas vezes. Depois desenvolveu várias opções de planta. Quando ele escolheu uma, escolheu com certeza, porque viu as alternativas lado a lado e entendeu o que cada uma resolvia. Essa certeza vale semanas de obra.

Com a planta fechada, a gente orçou tudo de uma vez: reforma civil, acabamentos, marcenaria e iluminação. O cliente recebeu uma proposta só, com tudo o que ele queria e um valor final. Você aprova uma vez e não volta mais ao assunto.

O condomínio e a TI também entram no projeto

Um edifício como o Pátio Malzoni tem certificação e regras próprias. O condomínio fez recomendações de automação e de prevenção de incêndio, e algumas salas precisavam de portas com abertura automática, como contingência em caso de incêndio. A gente desenvolveu essa parte com critério e aprovou tudo com o condomínio antes da obra. A equipe de TI do cliente também trabalhou junto com a gente desde o projeto.

Quando a construtora entrou, ela não encontrou nenhum entrave. Só precisava executar.

Noventa dias de obra, com o prédio funcionando

O Pátio Malzoni já funcionava normalmente, e por isso a equipe fez a reforma quase toda à noite. Num regime assim, qualquer dúvida vira uma noite perdida. Só um projeto fechado sustenta esse ritmo.

A construtora que executou a obra trabalha com engenharia corporativa e conhece esse tipo de serviço, totalmente diferente de uma reforma residencial. Ela usa muito drywall, que o mercado corporativo aceita bem e que acelera a montagem das salas. Você ganha semanas sem abrir mão do acabamento.

A janela que não estava na planta

Planejar tudo não significa engessar o projeto. No meio do processo, o cliente perguntou se a recepção podia receber luz natural. O conjunto tem muita janela, mas justamente na recepção uma parede escondia o vidro. A gente eliminou essa parede, e a pele de vidro do edifício passou a iluminar quem chega. Durante o dia, você entra e encontra a recepção clara, com a cidade ao fundo.

Uma decisão dessas cabe no caminho quando o resto já está resolvido.

Recepção do escritório da Blueline no Pátio Malzoni, com balcão de pedra escura, painel de madeira e janela ao fundo
A recepção ganhou luz natural depois que a gente eliminou uma parede.

Um escritório que acolhe como uma casa

O cliente contratou a gente também por outro motivo: ele não queria um espaço só com cara corporativa. Ele gosta de arte e valoriza marcenaria. Eu trouxe para o conjunto o acolhimento dos nossos projetos residenciais, sem perder a praticidade que um escritório exige. A recepção ganhou um balcão com painéis de madeira, e no corredor as obras do Macaparana acompanham quem caminha até as salas.

Corredor do escritório no Pátio Malzoni com painel de madeira, fita de LED e obras de Macaparana
No corredor, obras do Macaparana acompanham o caminho até as salas.

A sala de reunião principal tem uma mesa de mármore para mais de 20 pessoas, painéis de madeira e vista da cidade. Você senta ali e entende o que a empresa quer dizer. No piso, eu optei por um mármore específico para áreas corporativas, que aguenta o tráfego intenso de todos os dias. O carpete ficou só no trading floor, onde a equipe opera e fala ao telefone o dia inteiro. Ali, o carpete e o forro modular seguram o barulho das ligações, e cada um consegue se concentrar na própria mesa.

Sala de reunião principal com mesa longa, cadeiras executivas e vista pela pele de vidro, projeto Marília Veiga Interiores
Mesa de mármore para mais de 20 pessoas na sala de reunião principal.
Trading floor do escritório no Pátio Malzoni com estações de trabalho, monitores e forro modular
No trading floor, o carpete e o forro modular seguram o barulho das ligações.

“É muito bom ver uma empresa já nascer num espaço que alia praticidade, funcionalidade e estética. Um escritório planejado é um diferencial: mostra que a marca cuida de cada detalhe.”

Marília Veiga, Designer de Interiores

O que eu faria no seu escritório

Se você tem um conjunto vazio e uma data de inauguração, eu começaria pelo que não aparece na foto: o briefing, as opções de planta, o orçamento completo e as regras do edifício. Eu resolveria tudo isso antes de chamar a obra. Do contrapiso à inauguração, a Blueline ganhou o escritório em cerca de cinco meses.

Esse foi o prazo deste projeto. Cada escritório tem o próprio tamanho, o próprio escopo e um edifício com regras próprias, e o calendário muda junto. A gente só fecha um prazo depois de conhecer o espaço e o que você precisa dele. O que não muda é a ordem: projeto fechado primeiro, obra depois.

Prazo curto a gente conquista no projeto.

Área de espera junto à pele de vidro no escritório da Blueline no Pátio Malzoni, projeto Marília Veiga Interiores
Depois: o mesmo conjunto, cerca de cinco meses depois.

O que o cliente disse

“a qualidade das propostas, implementação, custo, timing, foram todas muito boas; todos que vem aqui no escritório tem ficados muito positivamente surpresos com a qualidade do escritório.”

Giovani Silva, sócio e fundador da Blueline Asset

Tem um escritório para planejar? Converse com a equipe da Marília Veiga.

Fotos Daniel Veiga

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