
O cliente encontrou a gente pela internet. Ele tinha acabado de abrir uma gestora de investimentos, a Blueline Asset Management, e tinha nas mãos um conjunto comercial vazio no Pátio Malzoni, na Faria Lima: contrapiso, dutos aparentes e pele de vidro. Nesse ramo, o cliente precisa sentir confiança antes de assinar qualquer coisa. Por isso ele queria um espaço que representasse a empresa e marcasse tanto quem trabalha ali quanto quem chega para uma reunião. E ele tinha prazo.
Quando alguém fala em arquitetura corporativa, quase sempre pensa primeiro na planta e nos móveis. Eu penso primeiro no calendário.
Começar a obra logo ou fechar tudo antes?
Todo cliente corporativo quer ver a obra começar na semana seguinte. A pressa, no entanto, costuma ser o que mais atrasa. Num escritório, cada dia parado custa aluguel sem uso e uma equipe sem lugar para trabalhar, e a tentação é liberar a reforma enquanto o projeto ainda está em aberto. A gente faz o contrário. Toda vez que a obra para por causa de uma decisão pendente, ou porque o cliente quer mais um orçamento, o cronograma escorrega.
No Pátio Malzoni, a gente dedicou 70 dias a projeto, orçamentos e aprovações. A obra levou 90.
Setenta dias de projeto antes do primeiro martelo
A gente começou pelo briefing e discutiu esse briefing com ele muitas vezes. Depois desenvolveu várias opções de planta. Quando ele escolheu uma, escolheu com certeza, porque viu as alternativas lado a lado e entendeu o que cada uma resolvia. Essa certeza vale semanas de obra.
Com a planta fechada, a gente orçou tudo de uma vez: reforma civil, acabamentos, marcenaria e iluminação. O cliente recebeu uma proposta só, com tudo o que ele queria e um valor final. Você aprova uma vez e não volta mais ao assunto.
O condomínio e a TI também entram no projeto
Um edifício como o Pátio Malzoni tem certificação e regras próprias. O condomínio fez recomendações de automação e de prevenção de incêndio, e algumas salas precisavam de portas com abertura automática, como contingência em caso de incêndio. A gente desenvolveu essa parte com critério e aprovou tudo com o condomínio antes da obra. A equipe de TI do cliente também trabalhou junto com a gente desde o projeto.
Quando a construtora entrou, ela não encontrou nenhum entrave. Só precisava executar.
Noventa dias de obra, com o prédio funcionando
O Pátio Malzoni já funcionava normalmente, e por isso a equipe fez a reforma quase toda à noite. Num regime assim, qualquer dúvida vira uma noite perdida. Só um projeto fechado sustenta esse ritmo.
A construtora que executou a obra trabalha com engenharia corporativa e conhece esse tipo de serviço, totalmente diferente de uma reforma residencial. Ela usa muito drywall, que o mercado corporativo aceita bem e que acelera a montagem das salas. Você ganha semanas sem abrir mão do acabamento.
A janela que não estava na planta
Planejar tudo não significa engessar o projeto. No meio do processo, o cliente perguntou se a recepção podia receber luz natural. O conjunto tem muita janela, mas justamente na recepção uma parede escondia o vidro. A gente eliminou essa parede, e a pele de vidro do edifício passou a iluminar quem chega. Durante o dia, você entra e encontra a recepção clara, com a cidade ao fundo.
Uma decisão dessas cabe no caminho quando o resto já está resolvido.

Um escritório que acolhe como uma casa
O cliente contratou a gente também por outro motivo: ele não queria um espaço só com cara corporativa. Ele gosta de arte e valoriza marcenaria. Eu trouxe para o conjunto o acolhimento dos nossos projetos residenciais, sem perder a praticidade que um escritório exige. A recepção ganhou um balcão com painéis de madeira, e no corredor as obras do Macaparana acompanham quem caminha até as salas.

A sala de reunião principal tem uma mesa de mármore para mais de 20 pessoas, painéis de madeira e vista da cidade. Você senta ali e entende o que a empresa quer dizer. No piso, eu optei por um mármore específico para áreas corporativas, que aguenta o tráfego intenso de todos os dias. O carpete ficou só no trading floor, onde a equipe opera e fala ao telefone o dia inteiro. Ali, o carpete e o forro modular seguram o barulho das ligações, e cada um consegue se concentrar na própria mesa.


“É muito bom ver uma empresa já nascer num espaço que alia praticidade, funcionalidade e estética. Um escritório planejado é um diferencial: mostra que a marca cuida de cada detalhe.”
Marília Veiga, Designer de Interiores
O que eu faria no seu escritório
Se você tem um conjunto vazio e uma data de inauguração, eu começaria pelo que não aparece na foto: o briefing, as opções de planta, o orçamento completo e as regras do edifício. Eu resolveria tudo isso antes de chamar a obra. Do contrapiso à inauguração, a Blueline ganhou o escritório em cerca de cinco meses.
Esse foi o prazo deste projeto. Cada escritório tem o próprio tamanho, o próprio escopo e um edifício com regras próprias, e o calendário muda junto. A gente só fecha um prazo depois de conhecer o espaço e o que você precisa dele. O que não muda é a ordem: projeto fechado primeiro, obra depois.
Prazo curto a gente conquista no projeto.

O que o cliente disse
“a qualidade das propostas, implementação, custo, timing, foram todas muito boas; todos que vem aqui no escritório tem ficados muito positivamente surpresos com a qualidade do escritório.”
Giovani Silva, sócio e fundador da Blueline Asset
Tem um escritório para planejar? Converse com a equipe da Marília Veiga.
Fotos Daniel Veiga

















